Revisão N4; Forma simples, orações relativas e condicionais
- Revisar a forma simples (informal) do verbo em todos os tempos e saber quando usá-la no lugar da forma polida
- Reativar as orações relativas, em que o verbo na forma simples vem antes do substantivo que descreve
- Comparar as quatro condicionais と・ば・たら・なら e escolher a mais natural em cada situação
- Reconhecer as armadilhas mais comuns para falantes de português nesses três pontos
Esta é uma parada para respirar e juntar três peças que sustentam quase tudo no N4. Nada de matéria nova aqui: a ideia é reativar o que você já viu, costurar uma coisa na outra e tirar de letra as armadilhas que mais derrubam quem fala português. Vamos por partes.
1. A forma simples (informal)
A forma simples é a base "crua" do verbo, sem o です/ます da forma polida. Ela é o que você usa com amigos e família, e também é a forma obrigatória dentro de outras estruturas (antes de と, から, orações relativas, condicionais e por aí vai). Vale revisar os quatro tempos de 飲む (beber):
- presente/futuro afirmativo: 飲む ("bebo / vou beber").
- presente/futuro negativo: 飲まない ("não bebo").
- passado afirmativo: 飲んだ ("bebi").
- passado negativo: 飲まなかった ("não bebi").
O perigo número um: dizer だ onde ele não cabe. Adjetivo-い e verbo já terminam sozinhos na forma simples. 高いだ está errado; o certo é só 高い. O だ aparece com substantivos e adjetivos-な (元気だ), nunca depois de verbo ou de adjetivo-い.
2. Orações relativas (verbo antes do substantivo)
Em português, a descrição vem depois do substantivo: "a pessoa que mora em Tóquio". Em japonês é o contrário: a frase inteira, com o verbo na forma simples, vem antes do substantivo, grudada nele, sem nenhuma palavra para "que":
- 東京に住む人= "a pessoa que mora em Tóquio" (literalmente "mora-em-Tóquio pessoa").
- 昨日買った本= "o livro que comprei ontem".
- 兄が作った料理= "a comida que meu irmão fez".
Dentro da oração relativa, o sujeito vira が, nunca は. Repare em 兄が作った: é が, não は. E o verbo fica sempre na forma simples, mesmo que a frase toda termine em forma polida: これは兄が作った料理です.
3. As quatro condicionais: と・ば・たら・なら
O japonês tem quatro maneiras de dizer "se". Elas se sobrepõem bastante, mas cada uma tem um ponto forte:
- と: resultado automático e inevitável. 春になると桜が咲く ("quando chega a primavera, as cerejeiras florescem"). Use para leis da natureza, máquinas, instruções.
- ば: condição geral ou hipotética, com foco em "basta que". 安ければ買う ("se for barato, eu compro").
- たら: a mais versátil e coloquial; serve para "se" e para "quando / depois que". 家に帰ったら練習する ("quando eu chegar em casa, vou treinar").
- なら: "se é esse o caso / quanto a isso", reagindo a algo que o outro disse. 日本に行くなら京都がいい ("se você vai ao Japão, Kyoto é uma boa").
Na dúvida sobre qual usar numa conversa do dia a dia, たら quase sempre cabe. Ela é a escolha mais segura quando você quer dizer "se" ou "quando" sem pensar muito.
Armadilha de quem fala português: o nosso "se" cobre tudo, então a tentação é jogar uma condicional só em qualquer frase. No japonês a escolha muda o sentido. Antes de escrever, pergunte: é consequência automática (と), condição hipotética (ば), "se / quando" do dia a dia(たら) ou reação ao que o outro disse (なら)?
Com と você não pode pôr pedido, ordem ou convite no resultado. 駅に着くと電話して soa estranho, porque と é para consequências automáticas. Para pedir algo, use たら: 駅に着いたら電話して ("quando chegar na estação, me liga").
As três peças juntas numa frase só: 昨日買った本を読んだら面白かった ("quando li o livro que comprei ontem, achei interessante"). Tem oração relativa (昨日買った本), condicional たら (読んだら) e forma simples no passado (面白かった).
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Será que é algo que eu deveria contar para a minha mãe? Coma não só peixe, mas também carne. Arroz ou pão, qual você prefere? Que tal jogar golfe amanhã?