Dar opinião com と思う
- Expressar opiniões e suposições com a estrutura ...と思う ('acho que...')
- Formar a versão negativa colocando a negação ANTES de と思う (ない…と思う)
- Fazer e entender perguntas de opinião com ...と思う? ('o que você acha?')
Em português a gente quase nunca crava as coisas: dizemos "acho que vai dar certo", "acho que não vai chover". Esse amortecedor existe também no japonês, e o nome dele é と思う. Com ele você dá opiniões e suposições sem soar categórico, e por isso ele aparece o tempo todo na conversa do dia a dia.
O molde: frase casual と思う
A receita é simples: você fala uma frase inteira na forma casual (forma de dicionário, sem です/だ no fim para verbos e adjetivos-i), gruda a partícula と e fecha com 思う ("pensar"). O と aqui funciona como umas aspas: ele empacota o que você pensa e entrega para o 思う.
Molde: [frase casual] と 思う
Veja como a frase casual entra inteira no molde:
- 雨が降る ("vai chover") vira 雨が降ると思う ("acho que vai chover").
- いい ("é bom") vira いいと思う ("acho que é bom").
Repare que と思う vem no fim, ao contrário do nosso "acho que…" que vem na frente. O japonês primeiro diz a ideia inteira e só depois revela que é uma opinião. Em compensação, a estrutura é sempre a mesma: pega qualquer frase casual e cola と思う no final.
A negativa: o "não" entra ANTES de 思う
Aqui mora a pegadinha mais comum. Para dizer "acho que não", você NÃO nega o 思う. A negação vai na frase de dentro, antes do と. Pense assim: você acha (afirmativo) que algo não é o caso.
- Certo: 雨が降らないと思う = "acho que não vai chover" (a negação fica dentro, no verbo de chover).
- Diferente: 雨が降ると思わない = "não acho que vá chover" (soa mais firme, menos usado no dia a dia).
O reflexo de quem fala português é negar o verbo de fora ("não acho que…"). No japonês natural do dia a dia, prefira negar o de dentro: ponha o verbo ou adjetivo na forma negativa …ない e só depois feche com と思う. Veja na frase real abaixo.
Análise
Literal: Chuva quanto-a não-virar(a-ser) que(citação) acho (ênfase).
Mais uma vez o alvo 〜と思う marca a opinião do falante; o conteúdo é 雨にはならない ('não vai dar em chuva / não vai virar chuva'). 雨になる significa literalmente 'tornar-se chuva, vir a chover', e aqui está na forma negativa ならない (なる + 〜ない). A sequência には reforça o tema 'quanto à chuva'. A partícula と liga tudo a 思う, e よ no fim suaviza/afirma a opinião.
Ao pé da letra: "vira chuva-não eu-acho". O ならない é a negativa de なる ("tornar-se"), e o よ no fim é só um tempero que soa como "viu". A negação está dentro, antes de と思う.
Análise
Literal: (Que) não há, acho, mas...
O foco é と思う ('achar que / acho que'): a partícula と marca a citação do pensamento e 思う é o verbo 'achar/pensar'. O conteúdo citado é ない ('não há / não / não é'), de modo que ないと思う = 'acho que não'. O けど final é um 'mas' suavizador, deixando a fala mais leve e aberta.
Aqui temos a versão mínima: o ない ("não há/não") fecha com と思う, e ainda vem um けど ("mas…", que deixa a frase em aberto, bem suave). É o nosso "acho que não" curtinho.
Perguntando a opinião: …と思う?
Para perguntar "o que você acha?", basta usar と思う com entonação de pergunta. Em japonês casual nem precisa de partícula extra: a curva da voz já marca a pergunta.
Análise
Literal: O quê (acus.) estava-fazendo que(citação) acha?
A frase termina em 〜と思う (alvo), que marca a opinião/suposição de quem fala: a parte antes do と é o conteúdo do pensamento. Aqui o conteúdo é 何をしてた ('o que eu estava fazendo'), em que してた é a forma coloquial contraída de していた (している no passado, indicando ação em andamento). A partícula final と liga essa oração ao verbo 思う ('achar'). Como a frase é uma pergunta (?), o sentido é 'o que você acha que eu estava fazendo?'.
Aqui してた é "estava fazendo" (casual), e 何 é "o quê". A pergunta inteira vira o conteúdo do 思う: "o que você acha que eu estava fazendo?". A opinião que se pede aparece dentro do molde.
Análise
Literal: De-algum-jeito conseguir-fazer que(citação) acho (ênfase).
Novamente o padrão-alvo 〜と思う marca a opinião do falante: o conteúdo do pensamento é 何とかできる ('consigo dar um jeito'). 何とか é uma expressão fixa que significa 'de algum jeito / de alguma forma', e できる é 'conseguir/poder fazer'. A partícula と liga essa ideia ao verbo 思う, e a partícula final よ adiciona um tom de afirmação confiante ('viu, acho que sim').
E para afirmar com confiança suave, a frase casual entra inteira no molde: 何とか ("de algum jeito") com できる ("conseguir") fecha com と思うよ, dando "acho que dou conta". Mesmo afirmando, o と思う tira o tom de promessa.
Kanji da lição
考 significa "considerar, refletir, ponderar". Aparece no verbo 考える ("pensar, refletir"), um primo mais "cabeça" do 思う (que é mais "sentir/achar"). Mnemônico: embaixo de uma pessoa idosa (老) curvada, um traço de bengala (丂); alguém com idade e experiência ponderando a vida.
物 significa "coisa, objeto, matéria". Leituras úteis: もの ("coisa") e ぶつ. Aparece em 買い物 ("compras") e em 物事 ("as coisas, os assuntos"). Mnemônico: à esquerda o radical de boi/gado (牜), à direita 勿; o "bicho" mais concreto que existia para representar qualquer "coisa" material.
Hora de praticar
Leitura
Ver tradução
Acho que não. Já está na hora de o ônibus chegar. O Ano-Novo está logo aí, quase chegando. Onde fica a escada rolante?