Existência com が: ある e いる
- Marcar o sujeito gramatical com a partícula が, em especial ao trazer informação nova
- Dizer que algo existe ou que alguém tem algo com ある (coisas) e いる (seres animados)
- Escolher entre ある e いる pela natureza do sujeito (inanimado x animado)
- Reconhecer o kanji 三 (três) e ligá-lo à ideia de quantidade
Você já sabe marcar o tópico com は. Agora entra uma parceira dela: a partícula が, que marca o sujeito gramatical, ou seja, quem ou o que realiza a ação ou simplesmente existe na frase. Com ela e com dois verbos novos, ある e いる, você vai dizer que algo existe ou que alguém tem alguma coisa.
Em japonês, "ter" no sentido de posse normalmente não usa um verbo "ter": diz-se literalmente "X existe". 時間があります é, ao pé da letra, "tempo existe", mas traduzimos por "tenho tempo". Um molde só resolve "existir" e "ter".
A partícula が: o sujeito da frase
A partícula が aponta quem ou o que existe, aparece ou faz algo. Ela é especialmente usada quando a informação é nova na conversa, ou seja, quando você está apresentando algo pela primeira vez. Vem sempre depois da palavra que marca, igual a todas as partículas: palavra primeiro, marca depois.
- 先生がいます = "há um(a) せんせい" / "o professor está".
- お茶があります = "há chá" / "tem chá".
Um jeito rápido de sentir a diferença: は fala "quanto a isto…" (tópico já conhecido), enquanto が aponta o dedo e diz "é ISTO" (sujeito, muitas vezes informação nova). Por isso が combina tão bem com existência: você está justamente trazendo algo novo para a cena.
Não se preocupe em dominar は contra が de uma vez: essa dupla volta em várias lições e vai ficando clara aos poucos. Por enquanto, basta a ideia central: が para a informação nova ou em foco; は para o tópico que já está em jogo.
ある (coisas) x いる (seres animados)
O japonês tem dois verbos de existência, e a escolha depende da natureza do sujeito:
- ある (ある): para coisas e seres inanimados (objetos, plantas, lugares, ideias). Polido: あります.
- いる (いる): para seres animados que se movem por vontade própria (pessoas, animais). Polido: います.
Repare que ある e いる têm formas polidas irregulares no negativo, mas por enquanto fique com o positivo あります / います, que já cobre quase tudo.
O critério é "tem vida e se move sozinho?", não "é vivo?". Uma árvore está viva, mas não anda, então usa ある. Um peixe usa いる. Trocar os dois é o erro mais comum de iniciante; quando a dúvida bater, pergunte-se: o sujeito se mexe por conta própria?
Exemplos reais
Veja が com あります numa pergunta que japoneses realmente usam para checar se a pessoa tem um tempinho. O か no fim é a partícula de pergunta.
Análise
Literal: Tempo (sujeito) existe/há (interrogativo)?
A estrutura é [substantivo + が + あります + か], unindo o padrão ~があります ('haver/existir', aqui 'ter') à partícula final か, que transforma a frase em pergunta. 時間 (tempo) é marcado por が como o que existe, e あります é a forma polida de ある. O か no fim torna toda a frase uma pergunta polida. O alvo があります está presente, agora em forma interrogativa.
Ao pé da letra é "tempo existe?", mas em pt-BR fica "você tem um tempo?". O sujeito 時間 (tempo) leva が porque é a informação em foco.
Agora が com います, já que o sujeito são pessoas (netos). Aqui 8人 é "oito pessoas" e 孫 é "neto(s)".
Análise
Literal: Oito-pessoas netos [が] existem (educado).
Mesma estrutura-alvo 〜がいます de existência de seres vivos. O bloco 8人 ('oito pessoas') é o numeral 8 mais o contador 人 (にん), usado para contar gente, e funciona aqui como quantificador dos netos. 孫 (netos) é marcado por が e o verbo いる surge no polido います; em pt-BR fica 'temos oito netos'.
Como netos são seres animados, o verbo é います, nunca あります. Em pt-BR: "temos oito netos".
Por fim, mais um caso da estrutura が com あります, mostrando que "existir" também serve para algo que a pessoa tem no corpo, como uma condição de saúde.
Análise
Literal: Hemorroida (sujeito) existe/há.
A estrutura é mínima: [substantivo + が + あります], o padrão ~があります ('haver/existir', aqui no sentido de 'ter'). 痔 (hemorroida) é marcado por が como o que existe, e あります (forma polida de ある) afirma a existência. O sujeito 'eu' fica subentendido pelo contexto, como é comum em japonês. O alvo があります aparece de forma direta.
De novo o molde é o mesmo: [sujeito] が あります. O verbo não muda; só troca o que existe.
Outros verbos de estado: 開く e 閉まる
Mais dois verbos úteis que descrevem um estado que acontece "sozinho", sem alguém empurrando, e que também combinam com が:
- あく (あく) = "abrir-se", como uma porta que se abre.
- しまる (しまる) = "fechar-se", como uma porta que se fecha.
São verbos de "acontece com o sujeito": ドアが開きます = "a porta abre". O sujeito (ドア, porta) leva が.
O kanji 三
三 significa três. As leituras mais úteis agora são さん (em contagem geral, como 三人 = "três pessoas") e みっつ ("três coisas").
Hora de praticar
Mais exemplos
Análise
Literal: Na varanda, gambá (sujeito) existe/está.
A estrutura é [substantivo + に] + [substantivo + が + います], ou seja, o padrão ~がいます ('existir/estar', para seres vivos). ポーチ (varanda/alpendre) recebe に para indicar o local onde algo está. スカンク (gambá/cangambá) é marcado por が como o ser que existe, e います (forma polida de いる) afirma a presença. Como o gambá é um animal (ser animado), usa-se いる/います, e não ある/あります. O alvo がいます aparece claramente.
Leitura
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